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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Sobre Desejo & Delírio



- Teus olhos são verde-esmeralda, salpicados de estrelas!
- Talvez...
- Tua rebeldia, teu atrevimento, teu jeito... Irresistível labirinto!
- Talvez...
- É improvável qualquer tentativa de retrato teu, sem apaixonar-se!
- Talvez...
- Esse teu andar felino, esse teu olhar dourado de gato, esse teu espírito livre... Ainda será a tua ruína!
- Talvez...
- Chegará o dia em que borboletas no aquário e peixes voadores me farão algum sentido, assim como fazem para ti!
- Talvez...
- Os caminhos do teu coração são ressonantes como túneis... É possível andar por eles até envelhecer e morrer, sem passar novamente pelo mesmo lugar!
- Talvez...
- Você exala um perfume quase subliminar de verão, enquanto sorri em breves lampejos!
- Talvez...
- Tuas roupas desparelhadas e excêntricas, teu cabelo bagunçado, o caos, as cores e formas infinitas que vivem dentro de você... Não podem ser reais!
- Talvez...

- Talvez um dia o teu desejo e o teu delírio em demasia, te traiam... E você se perca de si mesma!
- Talvez...!!!



“Desejo vive no coração” & “Delírio vê o mundo de sua única e própria visão” 
- Sandman, Neil Gaiman.



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domingo, 12 de junho de 2016

Lista de músicas para manhãs frias de domingo

LIBERDADE / GUERRA FRIA

"Tudo por você, guerras pra depois,
Eu mudo por você
o mundo pra nós dois..."

***

IL TUO NOME IN MAIUSCOLO

"Sai mi fa confondere questo averti qui
Io quasi colpevole di poterti dire che...

Tu esisti dentro me
sei da difendere con grazia semplice, così...
Per l´amore che non hai
che non ho voluto mai
che ormai esiste dentro noi..."

***

BRILHA ONDE ESTIVER

"A estrela que eu escolhi não cumpriu com o que eu pedi,
e hoje não a encontrei...
Pois caiu no mar, e se apagou..."

***

BETTER DAYS

"My love is safe for the universe
See me now I´m bursting
On one planet so many turns...
Different worlds..."

***

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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

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Tinha todos os sonhos desenhados numa tela previamente colorida.
Tinha a mente dividida entre o real e a ilusão.
Tinha ainda na memória aquela música. E na gaveta empoeirada, os poemas escritos à mão.

*“A million little pieces to start”
*“A million little pieces stolen from you”
*“This simple answer is never what it seems”

E os milhões de pedacinhos daquele cenário, floresceram.

 

*30 Seconds To Mars Song - "Search and Destroy"

domingo, 17 de junho de 2012

Diariamente


Para calar a boca: rícino
Pra lavar a roupa: omo
Para viagem longa: jato
Para difíceis contas: calculadora

Para o pneu na lona: jacaré
Para a pantalona: nesga
Para pular a onda: litoral
Para lápis ter ponta: apontador

Para o Pará e o Amazonas: látex
Para parar na Pamplona: Assis
Para trazer à tona: homem-rã
Para a melhor azeitona: Ibéria

Para o presente da noiva: marzipã
Para Adidas: o Conga nacional
Para o outono, a folha: exclusão
Para embaixo da sombra: guarda-sol

Para todas as coisas: dicionário
Para que fiquem prontas: paciência
Para dormir a fronha: madrigal
Para brincar na gangorra: dois

Para fazer uma touca: bobs
Para beber uma coca: drops
Para ferver uma sopa: graus
Para a luz lá na roça: duzentos e vinte volts

Para vigias em ronda: café
Para limpar a lousa: apagador
Para o beijo da moça: paladar
Para uma voz muito rouca: hortelã

Para a cor roxa: ataúde
Para a galocha: Verlon
Para ser "mother": melancia
Para abrir a rosa: temporada

Para aumentar a vitrola: sábado
Para a cama de mola: hóspede
Para trancar bem a porta: cadeado
Para que serve a calota: Volkswagen

Para quem não acorda: balde
Para a letra torta: pauta
Para parecer mais nova: Avon
Para os dias de prova: amnésia

Para estourar pipoca: barulho
Para quem se afoga: isopor
Para levar na escola: condução
Para os dias de folga: namorado

Para o automóvel que capota: guincho
Para fechar uma aposta: paraninfo
Para quem se comporta: brinde
Para a mulher que aborta: repouso

Para saber a resposta: vide-o-verso
Para escolher a compota: Jundiaí
Para a menina que engorda: hipofagin
Para a comida das orcas: krill

Para o telefone que toca
Para a água lá na poça
Para a mesa que vai ser posta
Para você, o que você gosta:

Diariamente.


-Marisa Monte-

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Like Alice – Part IV

Já dizia Clarice que as pessoas, por não andarem distraídas, queriam ser o que já eram, queriam ter o que já tinham, queriam matar a sede da boca seca de admiração. E foi numa destas distrações que Alice o viu pela primeira vez. Almoçava tranqüila em meio ao verde das árvores, no restaurante em que o assoalho antigo de madeira fazia um barulho lindo quando encostava os saltos dos sapatos. Por muitas vezes Alice imaginara que havia apenas ela andando por cima daquelas madeiras barulhentas. E foi em um destes devaneios que Alice encontrou os olhos negros e sérios pela primeira vez: eles a fitavam com imensa curiosidade, surpresa e atenção, como uma criança que desperta para um acontecimento novo do mundo. E Alice sentiu uma brasa no coração, como a mesma criança que desperta para um acontecimento novo do mundo.

Passado o episódio (e a sobremesa!), Alice voltou para o trabalho, sem questionar ou pensar demais no acontecido. Ocorreu então, para sua surpresa, que antes de dormir ela relembrou o encontro de olhares, e reviveu a brasa quente no coração.

Semanas depois, numa tarde preguiçosa de outono, Alice resolve dar um tempo no trabalho, e descer ao Café para tomar alguma coisa quente, destas que não aquecem a alma, mas driblam a agonia do corpo. E então ela o revê, sentando em uma mesa com algumas pessoas, totalmente alheio ao assunto, num olhar longínquo prestando atenção a qualquer bobagem que passava na TV naquele instante. Ele não a viu, estava com o pensamento distante demais para isso, mas Alice o reconheceu, e sentiu aquele quentinho novamente lá dentro, como se algo a dissesse que realmente as coisas não acontecem por acaso.

Alice tinha muitas dúvidas a respeito do acaso: não acreditou nele por diversas vezes, e em outras, o crucificou na maré da realidade, das ações e do cotidiano. Mas como dizia Pessoa: “Que grande vantagem trazer a alma virada do avesso!”. E Alice começava a se sentir mais do avesso do que nunca...