domingo, 5 de setembro de 2010

Sobre o início e o fim

(...)

Já dizia um velho livro
que no início o Planeta era escuro e sombrio,
e perambulava pelo universo informe e vazio.

Depois veio a luz e o firmamento,
as terras, os mares e as águas,
as sementes e as plantas,
o sol, a lua e as estrelas.

E a vida começou a borbulhar na água, na terra, no ar...
Moléculas deram as mãos em prol de organismos mais complexos:
os peixes, os anfíbios e os grandes répteis,
e depois as aves e os mamíferos.
E assim passaram-se milhões de anos...

¡Evolução!

Até que, num determinado ponto da história deste Planeta em questão,
uma especial-espécie tomou um caminho distinto na evolução,
e dentre vários “homos”, a sapiência encontrou o seu lugar.

O mesmo velho livro conta
que houve uma ordem
para que esta espécie se multiplicasse
e o Planeta dominasse...
E foi exatamente assim que aconteceu!

¡Revolução!

A espécie sapiens descobriu o seu maior tesouro: a Razão!
Começou a perceber o que o diferenciava dos demais seres,
e daí em diante, há milhares de livros a nos relatar a história:

Grandes pensadores e guerras,
invenções, descobertas, máquinas!
Novas ciências – a sapiência pensando a sapiência!
Limites e lugares alcançados,
vôos alçados...
A vontade de saber e conquistar mais e mais!

E o tempo foi passando...
E a sapiência foi escravizando a própria sapiência,
na busca pelo eterno poder,
na busca eterna pelo momento ímpar
em que nos reconhecemos como humanos
(O que somos? De onde viemos? Para onde vamos?)

E assim, a ordem foi cumprida:
dominou-se as águas, as infindáveis terras,
as florestas, os peixes, os animais,
as sementes, as árvores, as plantas,
as bactérias, os fungos e vírus,
e a enorme força nuclear dos átomos.

O homem dominou a si mesmo
criando regras para “viver em sociedade”.
E esta sociedade foi consumindo todos os recursos naturais,
que chegaram muito antes do homo sapiens neste Planeta:

Produzindo, produzindo, produzindo!
Consumindo, consumindo, consumindo!
E assim, o Planeta-Terra-Casa foi sendo destruído...
Talvez esta espécie não seja tão inteligente ou especial assim...

E já dizia um velho livro
que no final, o Planeta será escuro e sombrio,
e perambulará pelo universo informe e vazio...



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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

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(...)

Sob o sol da princesa do sudeste do Brasil
desabrocham os ipês de agosto.

Colorindo o ir e vir
como um palhaço a pintar o rosto,
ou um ardente abraço juvenil.

domingo, 1 de agosto de 2010

"Embriaguem-se"

(...)

"É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.

Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.

E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher."

-Charles Baudelaire-

domingo, 25 de julho de 2010

Sobre a simplicidade e a reciprocidade

(...)
É tão bom o carinho mútuo,
os olhares trocados com sincronicidade,
o sorriso aberto com aquele cantinho no lábio que só os dois entendem,
as mãos se encontrando em sintonia,
as palavras ditas, compreendidas e guardadas,
o encontro daqueles braços onde você sabe que irá descansar.

Porque a vida é mais forte e bela quando é composta e repleta de gestos simples...
E quando a simplicidade é recíproca, aí a vida é completa!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Sobre o inquebrantável

(...)

Os constantes elos da vida
São inquebráveis
Incansáveis
Indomáveis
Infindáveis

Não se pode enfraquecer
Nem de perto, nem de longe

Ah, coração!
Hás um dia de compreender estes infinitos ciclos!

sábado, 10 de julho de 2010

Sobre a intuição

(...)
ver além do que demonstram os fatos
sentir o friozinho na espinha
por prever o que estava por vir
in-tu-ir

entender desmedidamente a percepção clara
o pressentimento
o presságio
de um vir-a-ser constante
(i) relevante?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Sobre a respiração, inspiração e transpiração

(...)

Respire bem fundo...

Inspirar-se às vezes faz bem:
com o silêncio da noite
com a patinha do gatinho
com o cobertor quentinho
com o cheirinho de café pela manhã
com o abraço com gosto de maçã

Inspire bem fundo...

Respirar poesia às vezes faz bem:
na mão da criança que escreve pela primeira vez a letra a
nos versos de Drummond, Pessoa, Quintana, Cecília e Clarice
no fim de tarde que se faz triste
na leitura de um texto antigo
no sorrir de um velho amigo

Transpire o que há de mais profundo!

sábado, 3 de julho de 2010

Sobre a arte

(...)

a arte tem lá suas artimanhas:
arte-manhas

tem todos os encantos e mistérios:
arte-manhãs

tem cor, paixão e coração:
tudo artesanalmente

tem o olhar inconseqüente
um sorriso eloqüente
um bem-estar quente:
os artifícios da vida

sexta-feira, 2 de julho de 2010

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Sobre o humanoser

(...)
fala-se muito
escuta-se pouco

desdenha-se muito
faz-se pouco

mundo louco

sob chapéus e maquiagens
sobre arranha-céus e chantagens
sou muito mais que unha e carne
dentes, pele, retina e charme

às vezes sou pó na enorme quantidade de mundo
às vezes o mundo cabe na pontinha do meu dedo mindinho

às vezes sou leve como águia – pena – peixinho
às vezes sou pesada como quem acorda do sono profundo

e assim vamos humanosendo